miércoles, diciembre 13, 2006

"Pese a Tudo"


. . .cheiro a lágrimas que se congelam. . .
Pese a tudo. . . sigo amando esse vento gélido do norte que para meu é pura energia que me recarrega o alma. Quando me roça a cara noto seu cheiro a mar encrespada. Noto seu cheiro salpicado de campos verdes. Noto seu cheiro a ingentes e escarpados alcantilados. Noto seu cheiro a mensagens alados de gaivotas. Noto seu cheiro a gente que conheço de toda a vida e que agora não posso vê-la. Noto seu cheiro a ruas empedradas que não posso pisar desde aqui. Noto seu cheiro a tardes gastadas olhando sentado como o rio Eume se funde em amoríos com o mar. Noto seu cheiro a músicas melancólicas. Noto seu cheiro a essa chuva que cala até os ossos mas que a meu não me importa. Noto seu cheiro a esse acento de nossa fala. Noto seu cheiro a lágrimas que se congelam. Noto seu cheiro à vertigem que dá tanta beleza junta e eu não posso ver desde aqui. Noto seu cheiro. . .Pese a tudo. . .

lunes, diciembre 04, 2006

"No bosque"



...essa tristeza sem nome que o rouba tudo…

A beleza aqui é mais tangível, e o halo que desprende parece que esta jogo do material com que se fazem os sonhos. Não importa a senda a seguir, pois, o caminho antigo me sairá ao passo, ainda que, escabroso e solitário, que em outro tempo adorei. Caminhei até cansar minha alma. Tenho frio sentado junto aos helechos, mas nem rodeado de tanta beleza evitam que os nevoeiros se condensem em meus olhos. Meu moral derrotista…minha profunda e clara escuridão, empurram-me a procurar as trevas mais negras e fundas de meus pensamentos.Agora o céu parece a ponto de chorar. A chuva também é parte indissociável desta paisagem. Ficaria aqui a esperar esse dia de primavera capaz de curar qualquer inverno…esperar esse dia de primavera para que me apague essa tristeza sem nome que o rouba tudo…Onde estarão os espíritos guardiões de seres decadentes, desarraigados e sem alma que se perdem na hermosura deste bosque?Abedules, acebos, tejos, choupos, arces, olmos, castanhos, carvalhos toda esta heterogeneidade começa a ser coberta por uma neblina espessa e uma espécie de pacto que tinha com meus pensamentos me diz que deixe de imaginar, que me encontro caminhando pela Fragas do Eume e que volte à crua realidade e me faça olhar essa maniática costume de remexer nos pensamentos e que meu desapego não foi por gosto próprio senão que foi por uma disposição do destino

jueves, noviembre 30, 2006

"Ate quando"

Por que à Gente
não lhe assombra
que se adoeça
um de amor...
...E lhes escandaliza
que um
por amor
se adoeça de aids?
até quando esta pandemia?
1-12-2006 dia mundial do aids

martes, noviembre 28, 2006

"errantes"


…me fala de sua esposa, fala-me de…
Quando ninguém o olha, vê-se um rosto nublado, triste, homem errante como uma sombra volteante, vinho de um longínquo país do este. Vejo-o sentado junto à fonte de água que há em meu trabalho. Caviloso e pensativo com a mirada imóvel, levantada para o infinito. Parece que escuta atencioso o murmúrio do água que cai e exala surdamente tristísimos suspiros.Deixou sua pátria, deixo a sua mulher, deixou suas duas filhas, o que para o supôs um forçado e supremo sacrifício. Uma vez me disse, a miséria está negra em torno de nós e diante só tenho o abismo…Sento pena por ele e tomo assento a seu lado, olha-me tratando de esboçar algo que se parece a um sorriso mas rapidamente dirige sua mirada outra vez ao infinito….me fala de suas travessias pela incerteza, sua memória esta sussurrada de solidões, sonhos dormidos, melancolias e surgem como uma concatenação de recordações.
Me fala de suas meninas, fala-me de sua esposa, fala-me de sua casa, fala-me de seus três carvalhos que os plantou faz seis anos e se pergunta se terão crescido muito.Eu escuto em silêncio e minhas pessoais reminiscências começam a florar, nada é pior que quando te dói o alma. Fixo a mirada no infinito e vejo os três castanhos que plantei na horta de minha casa de Galícia.
Quando ninguém olha, vêem-se dois rostos nublados, tristes, homens errantes como umas sombras volteante, que têm que esperar que o tempo lhes cure o alm
a.

viernes, noviembre 24, 2006

"Pensamentos"

...todos pensados em segredo...

Me agrada pensar, lá aporta em minha horta da Judea, e junto aos três castanhos tenho escondido um ninho de loucos pensamentos. Todos pensados em segredo… e lhe pedi à montanha Breamo que sempre olhando para o mar está,que por favor lhe diga a suas sombras único amparo, que me os vigie até minha volta. Que vontades de tornar tenho, para vê-los correr tão contentes de estar a sós comigo.


lunes, noviembre 13, 2006

"Sorriso"


Este sorriso é para Nat .
Meu desejo é que te acompanhem
as boas estrelas em tua Viagem.

lunes, agosto 07, 2006

"Me sento um Quijote"

…mas me equivoquei o tipo não ...
.

Há dias que me sento um Quijote e é quando penso que todos deveríamos ter um Sancho Panza ao lado para evitar que em ocasiões nos metêssemos em entuertos não desejados.–A aventura vai guiando nossas coisas melhor do que acertássemos a desejar; porque vês ali, amigo Sancho, onde se descobrem a dez, ou poucos mais, desaforados bravucones apaleando aquele azarado camponês.
–Que bravucones, que azarado camponês? Me diria meu Sancho se o tivesse ao lado.–Aqueles que ali vês, blandiendo suas espadas numa mão e na outra um escudo protetor.Meu fiel Sancho me aconselharia: –Olhe vossa graça, que aqueles que ali veis não são bravucones senão excursionistas do Inserso e não portam espadas nem escudos mais bem portam guarda chuvas e ramos de rosas e o homem ao que increpam não é um azarado camponês mais bem parece um músico de rua.
E eu, errei que errei em meu papel de Quijote: –Bem parece amigo Sancho que não estás cursado em isto das aventuras; e se tens medo, tira-te daí, e põe-te em oração que eu vou entrar com eles em fera e desigual batalha.–Não fuyades, covardes e vis criaturas, que um só cavaleiro é o que vos acomete.
Bueno a questão é que eu, estava passeando pelo parque Ribalta e umas dez ou doze pessoas maiores acorralaban a um tipo e proferindo insultos a sua pessoa. Em princípio pensei que o tipo teria tentado roubar a essa gente e ao ser descoberto quereriam lincharlo…mas me equivoquei o tipo não tinha roubado nada, simplesmente que o tipo era um músico de rua e se estava ganhando a vida com sua viola no parque, e quando viu a vários excursionistas pegando as flores do jardim lhes chamou depredadoras da natureza e tentou tirar-lhes as rosas que tinham pegado e se armou a bagunça pai.
Quase me dão a mim também por sair em defesa do músico, mas a coisa se acalmo quando chego a polícia, a qual mandou à jauría que se montassem no ônibus e que seguissem com vento fresco sua excursão. O músico tinha uns rasgos andróginos e por seu acento me pareceu sulamericano o qual lhe perguntei e me disse que era cidadão do mundo o qual respeitei e muito agradecido me deu as graças por tratar de protegê-lo e com um pleonasmo de inspiração latinoamericana me disse vou cantar-te uma tonada popular de onde são meus pais e pegando sua viola:


Aqui te trago uma rosa
no campo a recolhi,
a mata-a ficou chorando
como choro eu por ti.

Como que te foste,
como que te vais
como que me querese
não me queres nada.

Quando a teu jardim entrei
tomei uma rosa rosada
e de adentro lhe saquei
tua pessoa retratada.

A rosa quando abotona
dizem que é mau tomá-la
para que pareça bonita
mais vale será deixá-la.
Uma pena não ter nesse momento algo para gravá-la e mandar-se a essas depredadores de jardins
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